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White wedding

Email para minha amiga casante:

Eu estou mandando este email com a esperança de que você o veja em algum momento entre seu casamento e seu retorno de férias.
Eu tentei de várias maneiras, através de várias amigas, viabilizar meu comparecimento no seu casamento mas não conseguirei ir. Não queria que você ficasse chateada ou que pensasse em desconsideração pq eu juro que tentei. A Joice, a Amanda, a Carol, a Milena… todas trouxeram vestidos para que eu experimentasse mas nenhum deles serviu.
Além disso me falta sapato, bolsa e condução. E eu fico muito triste de não estar lá pra prestigiar um momento tão gloriosamente seu! Eu sinto muito que minhas restrições cotidianas de dinheiro me impeçam de participar deste momento com você.
Espero sinceramente que você entenda que pra mim não é tão simples comparecer. Que não é só abrir o guarda-roupas e escolher. Eu tenho que me humilhar e contar com a compreensão e boa vontade alheia pra poder ter alguma opção e nesse caso, ainda que tenha contado com boas amigas que se esforçaram por mim, não deu porque os vestidos não serviram. Me frustra… e me frustra não poder demonstrar essa frustração pra você de uma maneira menos.. distante.
E sei que o carater estético da minha escrita não facilita a transmissão de qualquer emoção que seja!
De qualquer forma espero de todo coração que você seja a mulher mais feliz do mundo! Que cada segundo extasiante desse dia tão intenso seja mesmo um vislumbre de uma vida cheia de intensidade e alegrias. Eu não sou uma pessoa de fé ou de qualquer crença [ainda que seja bem crédula] mas posso te dizer que tenho confiança de que o seu futuro e o futuro do seu relacionamento são luminosos. E ainda que eu não saiba rezar minhas orações vão estar com você e todo pensamento positivo que eu possa devotar!
Espero que na véspera você ouça a voz da razão e se lembre de se cuidar pq o casamento não vai acontecer se a noiva estiver surtada, desmaiada ou hospitalizada!
Torço muito por você e pelo Fernando pq são pessoas maravilhosas e que merecem essa felicidade.
Desculpe a covardia do e-mail… do fato de ser por e-mail… mas quando você voltar a gente conversa…
E de novo, te desejo toda a felicidade do mundo!
Bjo!

It’s a nice day for a white wedding… it’s a nice day to… start again!

Chapelaria XIII

E recebi uma ligação irada no dia seguinte.

Pouco depois de perceber que ele tinha escolhido aquele lugar pra me encontrar porque saiu sem avisar a namorada…

Foi o tipo de coisa sorrateira e clandestina que eu poderia esperar mas não podia prever.

Fui até a rodoviária me despedir, no melhor estilo amante já que ele só veio me encontrar depois de ter se despedido da namorada.

Discutimos. Conversamos.

Eu o quebrei com uma piada.

Ele partiu.

E algum tempo depois era minha vez de enfrentar a estrada.

Chapelaria XII

E a resposta veio. Nonsense como sempre. Me confundindo… Me dominando… Me desnorteando.

E era impossível não ser arrastada devolta para aqueles momentos no passado quando a sensação era outra…

E assim engatamos numa conversa via e-mail que se transformou numa conversa via msn que se transformou numa conversa diária via celular [God Bless Oi!].

Até que ele me pergunta: “O que vai fazer no dia X?”

E aí combinamos.

Eu iria no show de uma banda querida e de lá iria sem dormir encontrar com ele… num sábado de ma nhã no metrô.

De acordo com ele não tinha porque mentir pra namorada, afinal seria uma conversa entre amigos. Velhos amigos.

Então nos encontramos em pleno metrô e fomos pra um café pequeno e escondido perto do metrô.

E então começou a novela.

A conversa olhos nos olhos que deveria ser objetiva e direta se perdia em tantas palavras vazias e dúbias que ele me dava.

Por-que-terminamos-eu-te-amava-eu-ia-te-pedir-em-namoro-naquela-semana-você-foi-embora-eu-te-avisei-que-iria-eu-queria-você-pra-mim-você-teve-todas-as-chances-você-fugiu-você-partiu-você-partiu-meu-coração

Eu perguntava e ele me respondia com evasivas ou com divagações e eu me frustrei.

Toda vez que levantava pra ir ao banheiro ou pedir um novo café ele me fazia um carinho e eu me segurava pra não ceder.

Sempre fui fraca.

O celular dele começou a tocar e eu fiquei impaciente.

Ele atendeu e foi absurdamente estúpido com a namorada.

Eu sabia o que estava acontecendo por isso tive que ser duplamente forte. Ceder naquele momento não seria somente me deixar levar por um desejo, mas me deixar trair. Trair meus juízos de valor.

Então nos levantamos e voltamos pra estação.

A despedida foi tensa. Recheada de desejos contidos e frustrações.

Então eu vim pra casa e comecei a ver meus filmes antigos.

Vi “Gata em Teto de Zinco Quente” e “…E o Vento Levou” e fiquei emotiva…

Então no auge de uma TPM depressiva eu mandei uma mensagem.

“Não sei qual o seu intuito em me encontrar mas sempre tenho a sensação de que você me usa pra afagar o ego”

Chapelaria XI

Então eu voltei pra Sampacity e engatei num relacionamento terrível.. mais um…

Aí ele me ligou e isso desencadeou um master briga no relacionamento. E eu não aturei isso.

Liguei de volta e disse: “Quem você pensa que é? Por que vc acha que tem o direito de entrar e sair da minha vida como bem quiser. Vc não tem esse direito. Você não tem o direito de entrar e sair da minha vida como se fosse a sua casa”.

E continuei no relacionamento.

E ele começou e terminou deixando marcas profundas em mim. Mas há certas marcas indeléveis que falam mais do que outras.

Então resolvi colocar um ponto final naquela história.. mas como?

Se naquele tempo já não nos falávamos mais. Se no primeiro ano em que estava aqui eu disse que queria “Terminar com essa novela.”.. Se no terceiro ano disse que ele não tinha o direito de ir e vir da minha vida.

Sendo assim, estando solteira, mandei um e-mail que dizia simplesmente “Oi… Tudo bem?”

E esperei pela resposta!

Chapelaria X

Fomos então pra casa do garoto, em plena madrugada interiorana.

Sentei na cama… vi os desenhos…

“Éan.. são legais”

Então começamos alguma coisa.

E no fim não deu certo.

Simplesmente não deu certo..

A noite mais frustrante do universo acontecendo diante dos meus olhos e não havia nada que eu pudesse fazer.

Me vesti, levantei e fui embora sem olhar pra trás!

Chapelaria IX

Então o relacionamento com o TI terminou. Ele era um bom rapaz mas queria coisas que eu talvez nunca venha a ter/ser como feminilidade, disponibilidade ou instinto maternal.

Mas então era final de ano e eu voltei pra passar o ano em Bauru. Combinei de sair com meus amigos.

Eu não consegui evitar e o fiz saber que eu estava lá. Eu estava lá e estava solteira.

Ah, e naquela noite quente de verão lá fui eu pro bar com as meninas, conhecer a namorada nova do meu melhor amigo. E odiei a garota. Espero que um dia ele deixe de amá-la. Espero que um dia ele ame a mulher com quem está agora!

E no caminho pra casa deixamos amiga por amiga em casa. Até que na porta de uma delas surge o garoto. Montado na garupa de uma moto conhecida.

Ele simplesmente desmonta e entra no carro. O amigo vai embora. Foi planejado? #whocares?

Minha amiga nos deixa perto de casa.

Ele: Você quer mesmo ir pra casa?

Eu: Na verdade não, ainda é cedo. [2h30 AM]

Ele: Então vem ver meus desenhos.

E nós fomos.

Chapelaria VIII

E cá estou eu em SampaCity.

Vivendo, trabalhando. Não como eu gostaria. Mas continuando.

E conheço o TI. O famoso TI com quem mantive um relacionamento de 11 meses repletos de instabilidades, brigas e um ciúme enormemente alheio. Eu tenho ciência do ciúmes que sou capaz de ter por causa do primeiro gajo, mas o TI era algo de outro mundo.

Nunca tinha havido na minha vida uma demanda tão grande por atenção e, acima de tudo, devoção.

E nessa montanha russa de emoções um belo dia eu mudei o status do orkut pra “namorando” e eis que um raio caiu em algum lugar.

No dia seguinte minha família inteira recebeu um mundo de ligações vindas de uma única pessoa.

Ele não queria meu telefone. Ele PRECISAVA do meu telefone.

E quem atende? O TI.

Eu nunca soube o que foi tratado naquela conversa. Só sei que deu certo. O rapaz sumiu. Tanto quanto alguém como ele é capaz de sumir.

Eu eu mergulhei naquele relacionamento frustrante e castrador do qual só me arrependo parcialmente.

Chapelaria VII

Depois daquilo muitas coisas me aparecem como um borrão.

Ele aparecendo nos almoços. Ele aparecendo nos domingos de sorvete. Ele rondando como nunca tinha feito quando estávamos juntos. E eu desaparecendo em mortificações e aspirações.

Então vim pra São Paulo e minha mãe me convenceu de que meu lugar era mesmo na terra da garoa ao invés da cidade sem limites.

Eu contei pra cada uma das pessoas da minha vida. E isso o incluiu. Naquele fevereiro eu contei que viria pra Sampa viver uma vida mais digna.

Nunca soube se ele acreditou desde o princípio, mas olhando pra trás acho que nem eu acreditava muito no que eu faria em seguida.

Chapelaria VI

Então dentre tantos devaneios sobre um futuro improvável e constrangedor ele me diz que acabou.

E tudo em que eu conseguia pensar era em Goethe e Fausto.

Então chorei. E pedi que ele fosse embora. Ele ficou me olhando.

Então fui embora.

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